Quinta-feira, Dezembro 13, 2007

Mountain bikes

Pelo meu visual "chubby" ninguém diria que já andei de bicicleta. Mas andei, e muito. Nunca em competições (aí seria pedir demais...) mas fui bastante longe, cheguei a andar 200km num único dia, com direito à duas subidas de serra. Mochila nas costas, barraca no bagageiro e lá íamos nós.

Da turma original que fazia cicloturismo, atualmente eu sou mesmo o mais vadio. Mas o fato é que ninguém ficou no mountain bike. Um faz canoagem, o outro é chefe escoteiro, o terceiro faz parte de um clube de motociclismo... e eu às vezes ando um pouquinho à pé :)

Para voltar à ativa, comprei há uns tempos atrás uma mountain bike nova. Sem dúvida é a melhor bicicleta que já tive na vida, e nem saiu tão cara. Aliás, a Caloi pode ser uma empresa com graves problemas financeiros, e que já produziu muita porcaria no passado, mas as bicicletas atuais dela são boas. Eu fui na loja para comprar uma Trek e saí com uma Caloi. Na faixa de preço, a Trek não teve chance -- só se eu fosse da classe média 0.85 que gosta de ostentar coisas importadas.

Deu uma certa raiva a gente não ter tido acesso a equipamento tão bom e acessível na "nossa" época -- início dos anos 90. Para não alongar muito, só vou mencionar a suspensão. Em 1993 eu adaptei suspensão à minha bike. Custou 350 dólares, e ficou uma droga. Parecia que a bicicleta sugava todas as minhas forças, e não ajudava em nada a amortecer os impactos. E, um ano depois, um dos lados simplesmente travou.

Já a Caloi Elite, que vem com uma suspensão considerada ruim, parece que você está andando numa moto. A pedalada rende e os impactos são totalmente amortecidos, mesmo com o pneu dianteiro bem cheio. Isso deve ter muito a ver com a geometria do quadro. A Caloi demorou anos para acertar geometria, as Aluminum dos anos 90 tinham fama péssima nesse quesito. (As lojas nem sabiam que o tamanho do quadro tinha de se adequar à estatura do ciclista.)

Antes de comprar a bike, li muito sobre o assunto (Internet... outra coisa que não tinha em 1992) e achei interessante "as voltas que o mundo dá" em termos de materiais de construção de quadros.

Bem antigamente, como todo mundo sabe, todos os quadros eram de aço, exceto talvez as anoréxicas bicicletas de corrida, que não me interessam pois são frágeis demais para uso normal. O aço é confiável, soldável, barato, e pode ser encontrado e trabalhado em qualquer canto do mundo.

Aí o mountain biking também começou a sofrer de anorexia, e a obsessão pela diminuição de peso (e por gastar mais grana) trouxe os quadros de alumínio. Demorou anos para os fabricantes acertarem com o alumínio, já que ele não é facilmente soldado e não tolera maus-tratos. Como muitos sabem, um tubo de alumínio só tem resistência porque é um perfil; basta uma pequena mossa e ele dobra que nem papel... Mas hoje temos quadros de alumínio muito confiáveis.

Depois veio o titânio, ainda mais leve. Houve algumas tentativas exóticas de usar estruturas cerâmicas dentro do alumínio para aumentar a resistência. E finalmente, o Santo Graal: a fibra de carbono. O "must" do peso e preço.

Mas fibra de carbono, bem, é nada mais que plástico reforçado. Só é resistente quando usado exatamente da forma prescrita. Qualquer stress num lugar inesperado faz estragos -- um quadro de fibra pode rachar simplesmente porque um parafuso foi demasiado apertado, ou porque levou uma pancada lateral num tombo "normal".

Começaram a pipocar falhas estruturais em quadros de fibra, com sérias conseqüências para os atletas. Não é bom quando você está a 110km/h numa trilha de montanha, com árvores bem grossas passando perto do do seu rosto, e de repente a bicicleta resolve virar pó.

Finalmente, bicicletas de downhill começaram a ser fabricadas novamente em aço -- pra baixo todo santo ajuda, não importa o peso, e os tombos nessa modalidade são sempre feios.

E devagarinho essa tendência está chegando às mountain bikes convencionais. Tudo muito bem calculado, para evitar peso excessivo etc. etc. Mas é o bom e velho aço. A Vale do Rio Doce agradece... No fim das contas, descobriram que 1 ou 2 quilos de peso a mais valem pela segurança que dão. O mesmo acontece em relação aos freios a disco, que pesam muito mais que os "cantilever" mas todo ciclista quer.

2 comentários:

Douglas disse...

Pesquisei bastante sobre este assunto. Mas acabei optando por uma GT downhill em aluminio [1] em vez da Trek. A Caloi esta melhor com suspensao decente, rock shox + kit shimano. Vamos ver se voce consegue ir de bike pela serra ate SBS e voltar ;)

[1] GT mountain bike

dario.englhardt disse...

Mas afinal qual foi a caloi que você comprou!?

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