Os autores nacionais estão finalmente começando a fazer livros bons. Este livro, "A cabeça do brasileiro", de Alberto Almeida, eu ouvi falar numa entrevista com o autor na TV Senado. (Tão chapa-branca e cheio de esquerdismos como são as TVs públicas brasileiras, mas as TVs normais conseguem ser piores, então quando eu tiro pra ver TV, acaba sempre sendo TV Brasil, TV Senado, TV Câmara ou Futura).
O livro é quase um "Freakonomics" tropicalizado, pelo uso pesado da estatística como ferramenta de pesquisa. É isto que torna o trabalho tão diferente dos livros anteriores que tentam explicar o Brasil.
A primeira pesquisa é, naturalmente, sobre corrupção, já que é o carro-chefe diário dos meios de informação. Pergunta-se aos pesquisados se situações como:
- "pedir emprestado uma forma de bolo do vizinho"
- "solicitar a um amigo funcionário público a emissão de um documento num prazo inferior ao normal"
devem ser classificadas como
a) favor
b) jeitinho
c) corrupção
Descobre-se que entre outras coisas, o "jeitinho" sempre ganha votações expressivas, o que significa que o brasileiro tem uma grande "zona cinzenta" na sua moral. Em países como os EUA, as pessoas tendem a classificar as situações em extremos.
Perguntas como a supracitada, às centenas, são cruzadas, tabuladas e analisadas por sexo, religião, região onde mora, idade, escolaridade, cor de pele e por aí vai.
Falando em EUA, o autor é um grande entusiasta dos EUA, freqüentemente comparando-o com o Brasil. Esse talvez seja o ponto "fraco" do livro, pois tem potencial infinito de atrair críticas gratuitas ao trabalho. O autor exagera um pouco mesmo. Talvez porque tenha estudado nos EUA, talvez porque seu trabalho foi inspirado em Torqueville que comparou os EUA com a França, no século XIX, e achou diferenças semelhantes às que existem entre EUA e Brasil hoje. (Para quem é anti-americano, um outro entendimento possível é que estamos tão mal que não merecemos sermos comparados a um país melhor :)
O autor guarda o melhor para o final, parece um bom romance policial onde o assassino só se revela na última página. O tema final é racismo, e chega a conclusões surpreendentes. Entre elas, que os pardos são mais discriminados que os negros, o que quebra as pernas de muitas políticas de cotas que estão sendo tentadas País afora.
Livro totalmente recomendado para quem tem amor à Pátria e quer conhecê-la melhor.
Sábado, Janeiro 26, 2008
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1 comentários:
li esse livro emprestado. mas quero um exemplar só pra mim. só não é bom ler domingo à noite, senão ninguém levanta na segunda feira para enfrentar o mundo. :)
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