Como já disse antes, tenho aproveitado o fim da gravidez da Ana para passear o máximo possível pelo interiorzão de Santa Catarina, porque depois vai demorar alguns meses até podermos fazer isso de novo. Até recebi umas críticas de pessoas próximas -- "nossa, o que você vai fazer se ela entrar em trabalho de parto no meio do mato?". Ué, e como fazem as pessoas que vivem nesse mesmo mato? E em geral sem automóvel? Afinal, não fui para nenhum deserto...Passei por lugares incrivelmente belos e SILENCIOSOS, e já me passa pela cabeça morar num deles, num futuro distante. O maior problema é o excesso de opções. Um segundo problema seria acesso a Internet, mas creio que daqui a alguns anos, banda larga vai ser algo trivial até em zonas rurais. (Na zona urbana, todas as cidades têm ADSL, mesmo as pequenas.)
Alguns candidatos:
Rio dos Cedros/SC: encabeça a lista com uma mão amarrada às costas. A cidade contém diversos vales e rios no território, sendo o mais importante o (surpresa!) rio dos Cedros. A zona urbana em si está numa parte plana e baixa. Cidade de 10000 habitantes, tudo arrumadinho ao extremo no pequeno trecho urbano, parece uma maquete. As pessoas cumprimentam quando você passa na rua de carro. Aí vem a difícil escolha: morar no centro ou num dos vários distritos rurais, um mais bonito que o outro? Cedro Alto, Alto Pomeranos, Rio Milanês, Palmeiras, Rio Bonito. Todos têm rios, mas os dois últimos têm lagos de represa, com casas lindas e pousadas.
Benedito Novo/SC: grande opção também. O centro é parecido com Rio dos Cedros, mas a zona urbana em si está no meio dos morros, no vale do rio Benedito, Também com 10000 habitantes. Não tem estrutura para turistas, nem hábito de recebê-los (duas senhoras a quem dei carona, recusaram-se a acreditar que eu tinha ido até lá só pra visitar, me "forçaram" a dizer o sobrenome para ter certeza que eu não tinha parentes no lugar...) Se quiser ficar ainda mais escondido, more no distrito de Santa Maria, onde se trabalha com extração de pedras ornamentais (tipo aqueles granitos para banheiro).
Doutor Pedrinho/SC: 3000 habitantes. Não pega celular (mas tem ADSL). É o que costumamos chamar de "cidade de primeira", pois ao engatar a segunda marcha, ela já passou. A cidade já está numa altitude intermediária (500m), o que pode ser bom para a saúde. Tem estrada direta para a represa Rio Bonito (aquela de Rio dos Cedros).

Pomerode/SC: a cidade mais alemã do Brasil. Por uma certa ironia, os terrenos das casas são os maiores que já vi. Os pomeranos descobriram o que o resto dos brasileiros parece não saber: que o Brasil é grande e portanto os quintais também podem ser grandes. (Já notaram como cidades de colonização portuguesa como Florianópolis e Recife têm terrenos pequenos e ruas estreitas?) Pomerode é melhor que Rio dos Cedros para quem quer uma cidade com mais opções de lazer e gastronomia, sem descuidar do estilo "maquete arrumadinha".
Schroeder/SC: cidade de 25000 habitantes, muitas opções de turismo rural por estar cercada de morros e vales. É estratégico por estar próximo de Joinville, Guaramirim e Jaraguá do Sul, todas cidades com muitas indústrias e empregos.
Corupá/SC: entre Jaraguá e São Bento do Sul. Tem apelo especial para amantes de ferrovias, pois nela está a subida da serra da Ferrovia São Francisco (que rivaliza com a Curitiba-Paranaguá em beleza, e tem passeios mensais de maria-fumaça). Cuidado para não ser pego dentro do túnel quando o trem passar.
São Bento do Sul/SC: 80000 habitantes, não é exatamente uma cidade pequena, mas ainda tem o charme. O centro é estilo maquete-arrumadinha.
Ibirama e José Boiteux: estas cidades já estão sobre uma "fronteira interna" de Santa Catarina, onde termina a colonização alemã e começa a sofrida região do Contestado. Ibirama é uma espécie de capital nacional do rafting, devido ao rio Itajaí do Norte, especialmente adequado ao esporte. As cidades foram vítimas de disputas na demarcação de uma reserva indígena, mas o problema parece amainado. José Boiteux tem uma represa de controle de enchentes que talvez tenha muito potencial turístico no futuro, tal qual Rio dos Cedros.
Rio Negrinho/SC: a mais enigmática das opções. A área urbana em si lembra São Bento do Sul e não tem lá muito atrativo, exceto talvez para amantes do trem por ser a sede da ABPF/SC e o ponto de partida da maria-fumaça mensal. A cidade está totalmente dentro do Planalto, e também está sobre aquela "fronteira interna" que mencionei antes, o que reflete na miscigenação local.

O "enigma" de Rio Negrinho está nos distritos do extremo sul, onde está a represa de Volta Grande (também conhecida como represa Alto Rio Preto). É um lugar que não consigo definir, parece bonito e feio, alegre e triste, tudo ao mesmo tempo. Paramos para comer na região de Bonsucesso (entre Rio Negrinho e Doutor Pedrinho), e parecia uma câmara anecóica tamanho o silêncio. Olhar o planalto sem fim pode ser relaxante ou deprimente, dependendo do estado de espírito. Ah, também não pega celular. Nem tem ADSL.
E agora, um oferecimento do Karnak e do aCiDBaSe:
Tá frio aqui
Tá muito poluido
Eu tô triste eu tô borrecido
Tá feio aqui
Tá muita poluição
Tá fedido
Fumaça de caminhão
Eu tô cansado da cidade
Eu quero ir pro mato
tem de tudo lá
porco galinha pato
tem carroça
tem cachorro
tem carro de boi
correguinho sempre tem
Juvenar Juvenar
Vem tirar o leite
São 6 horas da manhã
Juvenar Juvenar Juvenar Juvenar

1 comentários:
Grande Elvis!
Show de bola esse texto. Aliás, estou gostando muito de ler teu blog, os textos estão bem detalhados e instrutivos.
Já fui pra Pomerode com a namorada e tivemos momentos inesquecíveis lá, que cidade aconchegante. Tenho muita curiosidade de conhecer as outras cidadezinhas próximas, pois como você, também gostamos do sossego e da simplicidade delas.
Vamos usar tuas dicas pra escolher os próximos passeios, valeu!
Ah, e se tiver afim de um passeio com 4.5 pessoas ao invés de 2.5, vamos juntos! :)
Abração
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