Domingo, Abril 20, 2008

Biocombustíveis e porcos

Lembrei agora de um livro, "O início e o fim", uma coleção de ensaios de Isaac Asimov sobre o mundo, o universo e além. Um dos ensaios aborda a problemática de produção de alimentos, numa época pré-revolução verde.

A celeuma da época era o uso de alimentos "para gente" na criação de animais. Ao contrário do biocombustível onde pelo menos 100% do conteúdo energético é aplicado na atividade-fim, a criação de animais é extremamente ineficiente: menos de 10% da energia acabam virando alimento final. É óbvio: o bicho tem de crescer e viver, além de produzir carne...

Boa parte da energia desperdiçada no processo de criação de animais materializa-se em fezes malcheirosas, que poluem à beça. (Todo material biológico que polui, o faz justamente porque tem energia armazenada, e consome oxigênio para decair.)

Aliás, esta é uma das explicações "alternativas" para o fato dos judeus não comerem porco -- porque ele compete com o ser humano pelo mesmo tipo de alimento, e isso poderia causar conflitos sociais, onde uns comeriam porco e outros nem mesmo milho. Lembrei dessa vendo os bois no pasto aqui na frente de casa. Bois, cupins e fogueiras são algumas das poucas coisas que podem alimentar-se diretamente da celulose. Nenhum ser humano vive de comer capim, portanto o boi não compete com ele pela comida. Embora os bois aqui adorem quando lhes atiro uma fruta :)

Se os biocombustíveis tornarem-se um problema para a produção de alimentos, é porque o uso de alimentos na alimentação animal já tem sido um problema mais grave há muito mais tempo. O biocombustível ao menos serve para mover o trator que anda na lavoura. Frangos e porcos não.

1 comentários:

Emo disse...

alou!

tenho acompanhado seu blog ha algum tempo e, embora sua visao de mundo seja bastante diferente da minha, gosto de ler os textos porque acabam me fazendo questionar o que eu tenho como certo.

pelo menos nesse ponto da producao animal e combustivel concordamos.

abracos,

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