Lembrei agora de um livro, "O início e o fim", uma coleção de ensaios de Isaac Asimov sobre o mundo, o universo e além. Um dos ensaios aborda a problemática de produção de alimentos, numa época pré-revolução verde.
A celeuma da época era o uso de alimentos "para gente" na criação de animais. Ao contrário do biocombustível onde pelo menos 100% do conteúdo energético é aplicado na atividade-fim, a criação de animais é extremamente ineficiente: menos de 10% da energia acabam virando alimento final. É óbvio: o bicho tem de crescer e viver, além de produzir carne...
Boa parte da energia desperdiçada no processo de criação de animais materializa-se em fezes malcheirosas, que poluem à beça. (Todo material biológico que polui, o faz justamente porque tem energia armazenada, e consome oxigênio para decair.)
Aliás, esta é uma das explicações "alternativas" para o fato dos judeus não comerem porco -- porque ele compete com o ser humano pelo mesmo tipo de alimento, e isso poderia causar conflitos sociais, onde uns comeriam porco e outros nem mesmo milho. Lembrei dessa vendo os bois no pasto aqui na frente de casa. Bois, cupins e fogueiras são algumas das poucas coisas que podem alimentar-se diretamente da celulose. Nenhum ser humano vive de comer capim, portanto o boi não compete com ele pela comida. Embora os bois aqui adorem quando lhes atiro uma fruta :)
Se os biocombustíveis tornarem-se um problema para a produção de alimentos, é porque o uso de alimentos na alimentação animal já tem sido um problema mais grave há muito mais tempo. O biocombustível ao menos serve para mover o trator que anda na lavoura. Frangos e porcos não.
Domingo, Abril 20, 2008
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1 comentários:
alou!
tenho acompanhado seu blog ha algum tempo e, embora sua visao de mundo seja bastante diferente da minha, gosto de ler os textos porque acabam me fazendo questionar o que eu tenho como certo.
pelo menos nesse ponto da producao animal e combustivel concordamos.
abracos,
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