Acho que realmente não seria uma boa idéia um terceiro mandato -- para o Lula. É incrível como se pode ver no rosto dele o envelhecimento acelerado nestes 7 anos.
E também por outro motivo: o estoque de "gambitos" e jogadas defensivas vai se acabando, e sem isto, é complicado governar, em particular neste imenso Portugal. Os peões do tabuleiro vão se escasseando, ou as jogadas vão ficando óbvias ao adversário.
Uma das estratégias de escape mais utilizadas pelo Lula, com sucesso incrivelmente longevo, foi o "eu não sabia de nada". É natural que o povão acreditasse; mas a eficácia da estratégia era tanta que até mesmo muitos dos acusadores acreditaram nisto.
Mas é óbvio que Lula sabia do mensalão, e é óbvio que o Congresso estava "sob controle" com o mensalão, e saiu do controle quando este foi descoberto, e está fora de controle até hoje. E sim, é o Congresso que é podre, e a constituição de 88 obriga bons governantes a lidar com a podridão, num regime semi-parlamentarista. Assim como aconteceu em 46, foi a nova Constituição que plantou as (várias) sementes da próxima quebra institucional.
Enfim, voltando ao assunto das excusas do Lula. Ficar usando sempre a mesma desculpa -- para a crise aérea, para o problema do gás boliviano, para isto, para aquilo -- vai desgastando sua eficácia, vai tornando óbvio até para o povão que é lorota.
Eu chamo essas desculpas de "gambitos" (expressão emprestada do xadrez) porque envolvem trocas. Se você diz que "não sabia de nada", livra-se da pecha de corrupto, porém ganha a pecha de desinformado ou tonto. Não sai de graça, como talvez pareça.
Então, no escândalo das passagens aéreas dos deputados, o Lula inventou outro gambito, mais elaborado: "não sejam mais realistas que o rei".
No caso, ele disse que quando ele foi deputado, também deu passagens aéreas para amigos sindicalistas etc.Parece que funcionou, porque o assunto meio que morreu logo depois. Agora, para mim, não morreu porque as pessoas teriam "entendido" a questão. Morreu porque as pessoas ficaram perplexas ("porra, se até o Lula tava nessa, o que vamos dizer?").
Agora, com a crise do Senado, onde está ficando cada vez mais patente que o Sarney não honra nem sua posição de ex-presidente (por patrimonialista) e nem sua fama de coronel análogo ao ACM (por mole, já que precisa ficar atirando postas aos aliados todo o tempo para mantê-los na linha, coisa que o ACM conseguia no berro) e nem de intelectual (porque as desculpas que ele dá são ruins à beça!)...
...aí vem o Lula e diz que "o Sarney não pode ser tratado como uma pessoa comum" -- se o Lula dá seu aval, o resto também tem que dar, e ninguém pode ser mais realista que o rei. Mas desta vez, o gambito não está saindo tão barato, o assunto continua em ebulição.
Este gambito é mais caro que o "não sabia de nada". Dizendo tais coisas, o Lula esquiva-se da pecha de amigo de corruptos, em troca da pecha de "corrupto pragmático". E quem se auto-define como um corrupto pragmático, iguala-se ao Maluf. Não vai dar para ficar usando esse gambito muito mais tempo.
Qual vai ser então a nova estratégia do presidente? Dizer que "o Brasil é assim mesmo"?
Quinta-feira, Junho 18, 2009
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1 comentários:
É por essas armadilhas que dois anos de mandato para um governante já está bom o bastante. Esse último ano do sapo barbudo, tirando o bom trabalho contra a crise mundial™ foi muito fraco. Eu fico feliz em saber que o sapo não compra essa idéia idiota de 3o. mandato. Está na hora de trocar de governante e variar um pouco as cadeiras.
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