Terça-feira, Março 17, 2009

Felix completa 1 ano


Hoje, no dia 17/3, o Felix faz aniversário. Treloso, matreiro, comilão, saúde de ferro, 50% sulista e 50% nordestino, gosta de balançar na rede, adora as músicas de entrada das novelas da Globo e do Chaves. Prefere mexer em celulares e teclados do que nos próprios brinquedos. Um pisciano que, contradizendo o signo, adora água. Este é o Felix.



Coincidentemente, hoje também rompeu o primeiro "ladrãozinho" (dentinho).







No próximo sábado vai acontecer o batismo (luteranos batizam crianças, assim como os católicos e diferentemente dos evangélicos calvinistas/pentecostais).

E logo depois, uma festa "quádrupla": aniversário e batismo do Felix, aniversário da Ana (minha esposa e mãe do Felix) e aniversário do meu pai. Ganho de escala é importante em tempos de crise, e permitiu um pequeno luxo adicional: chopp da microcervejaria Opa Bier.

As lembrancinhas aos convidados também já estão confeccionadas:

Segunda-feira, Março 16, 2009

Slashdot, neoliberalismo e consciente coletivo

Acho que descobri porque a Slashdot parece deslocada no tempo, uma coisa do século passado e destinada a ser enterrada viva pelo Gizmodo. A inspiração veio durante uma olhada no site da revista de esquerda Caros Amigos. A mensagem dos dois veículos, Slashdot e Caros Amigos, é muito parecida: "Somos perdedores por culpa das elites". E a espinha dorsal das reportagens de ambas é igualmente parecido: reclamar, reclamar e reclamar.

Para o bem ou para o mal, o neoliberalismo entrou no consciente coletivo e ainda vai avançar muito nesta frente, embora muitos prevejam que ele esteja sendo escorraçado enquanto doutrina econômica (eu pago pra ver). O "consciente coletivo neoliberal" representa a valorização do faça-você-mesmo, do fix-it e do deal-with-it; a intolerância com reclamações; o esgotamento da paciência com aqueles que alegam serem vítimas da história, da geografia, da condição social ou da sua própria cultura. Não há mais desculpas para não fazer a coisa certa a partir de HOJE. Sai Richard Stallman, entra Steve Jobs.

O neoliberalismo influi até mesmo nas relações familiares: ajudar parentes "perdedores" agora é desaconselhado até por psicólogos de programas vespertinos. Isto não pode ser por acaso, é uma mudança completa da mentalidade social.

Nem as artes escapam da nova onda. Fazia um bom tempo que eu não ouvia Gabriel o Pensador. É, eu gostava de ouvir as músicas dele, foi por conta disso que comecei a ouvir rap. Aí esses dias ouvi novamente: parecia uma velha reclamona! Coincidência ou não, o Gabriel Pensador sumiu da cena nos últimos anos. Também mostra que ficar misturando arte com política não dá muito certo; os tempos mudam e a arte original fica obsoleta, boa apenas para a lata do lixo. Enfim, é a sina da MPB, que morreu junto com o regime militar, só esqueceram de enterrar.

Quanto aos raps, ainda os ouço, para me divertir com o naiveté das letras :)

Como eu disse no início da segunda frase: "Para o bem ou para o mal...". Certamente existem pessoas que são vítimas do meio, e estas vão sofrer, pois serão ignoradas e consideradas culpadas da própria situação. Assim como outros sofriam antes, por culpa das falsas vítimas. Não há forma de fazer todos felizes ao mesmo tempo, afinal de contas.

E, neste admirável mundo novo, Slashdot e Caros Amigos parecem itens de antiquário, como seu visual Web 1.0, atulhado, quadradão, e cheio de reclamações contra o governo (no qual as pessoas votaram), contra as telecoms, contra "a mídia" (da qual eles fazem parte e extraem seu sustento), contra os patrões, contra Guantánamo, contra Israel, e assim por diante. Para um observador com acesso a apenas estes sites, o mundo só tem feito piorar nesta década.

Aí você vai no Gizmodo, e alivia-se por ver que "eppur si muove", que existe gente criando coisas novas, bonitas, baratas, que facilitam e divertem a nossa vida. E a década 00 não parece afinal tão perdida assim.

Segunda-feira, Março 09, 2009

O germe da destruição

"Parente é serpente". Certamente todo mundo já ouviu este ditado ou pelo menos outra versão equivalente. Mas na verdade a má fama universal da "família estendida" é culpa de uma proporção relativamente pequena dos integrantes. Aqueles que, no meu entendimento particular, possuem um certo "germe da destruição", que possuem o toque de Midas invertido e arruínam tudo que tocam.

Certamente a sua família tem exemplos equivalentes; é assustador como a pelagem das ovelhas negras é uniforme. Todas pedem dinheiro emprestado e nunca pagam, todas gastam rapidamente qualquer dinheiro que possuam, todas põem a culpa na família pelos seus problemas, muitas entregam seus filhos para que outros parentes os criem.

Devemos aqui traçar uma distinção entre o "destruidor" e outros tipos de pessoa que às vezes parecem como ele. Existe o "sem-noção" que é aquela pessoa sem muita direção, embora honesta, trabalhadora e tudo mais. Existe o "preguiçoso", que mora feliz numa casa caindo aos pedaços e não se importa, nem incomoda nem culpa ninguém por isso. O "destruidor" destaca-se dos demais por conscientemente e consistentemente fazer o caldo desandar.

Vou contar apenas um caso que é fora do normal até mesmo em se tratando deste assunto. Meu pai só tem um irmão. Este cidadão sempre afirmou que meus avós eram ricos e que meu pai usurpou toda a fortuna deles. Para vocês terem uma idéia, meus avós praticavam agricultura de subsistência -- na cabeça do meu tio, eles "fingiam" serem camponeses no limite da pobreza. Naturalmente, isto também significa que tudo que eu tenho, inclusive o computador no qual estou escrevendo isto, é resultado do "roubo".

Meu tio é tão convincente quando diz tais coisas, que ele tem esposa e três filhos; e exceto por um deles, todos os demais escolheram acreditar nesta história, de modo que o relacionamento com esta tia e estes primos também era problemático, até cessar por completo.

Eu sempre digo que o único remédio contra as ovelhas negras é o isolamento completo. Muita gente me considera duro demais em relação a isto, mas eu tenho meus motivos. Lembro de, ainda adolescente, criticar a atitude conciliadora do meu pai em relação ao irmão dele. Minha mãe retrucou que meu pai construiria um muro de amizades no resto da família por conta da atitude.

Ela estava errada. Em relação ao meu tio, os demais parentes se dividem em dois grupos: os que "não se metem em briga de irmãos" e os que acreditam que "pelo menos uma parte do que o sujeito fala deve ser verdade". O pagamento que meu pai recebeu por ter cuidado dos pais dele e tolerado o irmão foram indiferença e desconfiança. E é exatamente isto que absolutamente todos os apiedados dos seus parentes perdedores recebem.

Eu acredito que os "destruidores" da família sejam na verdade doentes, mais precisamente psicopatas. Veja uma lista parcial de sintomas, compilada do livro "The Mask of Sanity" e de outras fontes da Web:

* Charme superficial e boa inteligência;

* Não ser confiável;

* Insinceridade, mentiras contumazes e às vezes inconsistentes. O psicopata pode falar longamente sobre como foi pular de paraquedas, e depois dizer "nunca andei de avião" (vide artigo SuperInteressante sobre psicopatia). (Aquele meu tio foi capaz de dizer que não pôde sacar uma verdadeira fortuna no banco porque "meu CPF estava muito velho");

* Falta de remorso e vergonha, sempre culpar os outros pelos seus problemas, e ser particularmente bom em inventar histórias plausíveis (porém mentirosas) que sustentem sua versão dos fatos;

* Comportamento antisocial sem motivo subjacente;

* Amoralidade. (Mesmo criminosos seguem um "código de honra"; psicopata não seguem nenhum.)

* Julgamento falho e não aprende com a experiência;

* Egocentrismo patológico e incapacidade de amar;

* Irresponsabilidade em relações interpessoais;

* Comportamento particularmente alterado e inadequado ao beber álcool;

* Ameaças de suicídio, mas nunca cumpridas;

* Dificuldade de seguir um plano de vida.

* O psicopata não tira vantagem consistente dos seus atos imorais; age aparentemente sem propósito. Um criminoso "normal" age em função de objetivos que até mesmo um não-criminoso entende como válido (ter dinheiro, status, segurança) embora não aprove os meios;

* A maior parte dos atos do psicopata parece ter como objetivo prejudicar-se a si mesmo.

Esta lista encaixa como uma luva nos "destruidores" da minha família, bem como nas famílias de conhecidos. E, ao que parece, não há cura para o problema, a começar porque o psicopata dificilmente entenderia que é doente. O cérebro dele é simplesmente construído de forma diferente.

Simetricamente, é igualmente difícil aos "normais" reconhecer que uma pessoa é psicótica. A gente sempre procura relações de causalidade e acha que a pessoa é assim porque era pobre, ou porque apanhou muito, ou porque apanhou pouco... e a cultura liberal da segunda metade do século XX ("não existem pessoas ruins") é um empecilho ao reconhecimento desta doença. Existe também a maldade do lado conservador, particularmente da direita cristã, que adoraria incluir itens como "promiscuidade sexual", "homossexualismo" e "ateísmo" na lista acima objetivando rotular grupos antagônicos como "doentes", já que rotular de "herege" está meio fora de moda.

E enquanto a confusão rola solta, os psicopatas continuam estragando a vida dos seus próximos e principalmente as suas próprias vidas. Principalmente dentro da família onde a tolerância é muito maior do que o mundo lá fora.