AVISO: a resposta para esta charada diz algo sobre sua personalidade; vou esclarecer isto num próximo post. E a resposta certa não vai valer prêmio nenhum desta vez. Portanto, não procure a resposta na Internet; apenas responda o que você pensa ser a resposta, honestamente.
A mãe de Joana morreu de derrame. Durante o velório, ela viu que um dos presentes, desconhecido dela, era seu homem-dos-sonhos -- em aparência, idade, modo de vestir-se, tudo. Ela apaixonou-se à primeira vista, mas dadas as circunstâncias, não conseguiu falar com ele, nem saber seu nome ou telefone.
Seis semanas depois, Joana matou sua irmã Fátima. Por quê?
Sábado, Maio 30, 2009
Quarta-feira, Maio 27, 2009
Truques batidos e O Grande Truque
Em se tratando de reciclagem de lixo, é razoável pressupor que a maior taxa possível é de 100%. Certo? Errado. Sílvio Santos, o maior químico do mundo (procure no Google por quê), tem provado que é possível atingir taxas de reciclagem de 200%, 300%.
O SBT vem reciclando os mesmos programas há décadas, vez por outra tenta alguma coisa diferente, não dá certo, e sempre acaba voltando à faina de catar coisas no monturo, passar um verniz e recolocar no ar. O cúmulo da re-re-re-reciclagem é o programa de sábado à tarde, "Quem não viu vai ver", que reapresenta VTs de shows de auditório de uns anos atrás (que já são cópias ou reedições de programas antigos), entremeando-o com uns sorteios e joguinhos.
Como toda regra tem exceção, o SBT tem um, exatamente um, programa que quase sempre vale a pena: Cine Belas-Artes. Vai ao ar no sábado pelas 23:00, e sempre passa filmes bons e relevantes. É a antítese do Super-Cine, que sempre se esmerou em passar filmes muito ruins.
No sábado retrasado, passou o que certamente foi um dos melhores filmes que já vi: O Grande Truque (The Prestige), sobre dois mágicos que se digladiam construindo truques cada vez melhores, e tentando arruinar as mágicas do rival. A coisa ganha ares de ficção científica quando Nikola Tesla entra na história.
Eu não gosto de mágica e não gosto de ficção científica, muito menos quando envolve "cientistas doidos", mas deste filme eu realmente gostei, e recomendo a todos.
O SBT vem reciclando os mesmos programas há décadas, vez por outra tenta alguma coisa diferente, não dá certo, e sempre acaba voltando à faina de catar coisas no monturo, passar um verniz e recolocar no ar. O cúmulo da re-re-re-reciclagem é o programa de sábado à tarde, "Quem não viu vai ver", que reapresenta VTs de shows de auditório de uns anos atrás (que já são cópias ou reedições de programas antigos), entremeando-o com uns sorteios e joguinhos.
Como toda regra tem exceção, o SBT tem um, exatamente um, programa que quase sempre vale a pena: Cine Belas-Artes. Vai ao ar no sábado pelas 23:00, e sempre passa filmes bons e relevantes. É a antítese do Super-Cine, que sempre se esmerou em passar filmes muito ruins.
No sábado retrasado, passou o que certamente foi um dos melhores filmes que já vi: O Grande Truque (The Prestige), sobre dois mágicos que se digladiam construindo truques cada vez melhores, e tentando arruinar as mágicas do rival. A coisa ganha ares de ficção científica quando Nikola Tesla entra na história.
Eu não gosto de mágica e não gosto de ficção científica, muito menos quando envolve "cientistas doidos", mas deste filme eu realmente gostei, e recomendo a todos.
Segunda-feira, Maio 25, 2009
Deitado eternamente em berço esplêndido
Triste ver o governo e até mesmo parte da sociedade organizada com uma atitude de Poliana debochada, fazendo pouco do resto do mundo "porque eles estão em crise e nós não".
Sinto-me em 1971: Brasil Grande. Até algumas frases daquela época têm sido reutilizadas, quase que com as mesmas letras, pelos atuais governantes.
Enquanto o estadunidense tinha quatro carros e agora vai ficar apenas com dois (por algum tempo), nosso povo continua comendo capim. Parece que não vai faltar o capim, o que é bom, mas este primeiro sucesso deveria ser visto como uma oportunidade, e como o primeiro degrau de uma longa escadaria. Não como um feito que autorize nossos governantes a arvorar-se em palmatória do mundo.
No entanto, o que vai acontecer é bem diferente. Far-se-á uma grande fogueira com o capim excedente, e em breve o status quo será restabelecido.
Tomara eu esteja errado. Mas é difícil.
Sinto-me em 1971: Brasil Grande. Até algumas frases daquela época têm sido reutilizadas, quase que com as mesmas letras, pelos atuais governantes.
Enquanto o estadunidense tinha quatro carros e agora vai ficar apenas com dois (por algum tempo), nosso povo continua comendo capim. Parece que não vai faltar o capim, o que é bom, mas este primeiro sucesso deveria ser visto como uma oportunidade, e como o primeiro degrau de uma longa escadaria. Não como um feito que autorize nossos governantes a arvorar-se em palmatória do mundo.
No entanto, o que vai acontecer é bem diferente. Far-se-á uma grande fogueira com o capim excedente, e em breve o status quo será restabelecido.
Tomara eu esteja errado. Mas é difícil.
Sexta-feira, Maio 22, 2009
eBay e manufatura brasileira
"Perdi a virgindade" no eBay por esses dias, comprando um trenzinho usado, uma litorina. Hoje chegou a 2a compra, uma locomotiva manobreira, a verdinha da foto.Inicialmente meu objetivo de comprar trenzinhos no eBay destinava-se apenas a buscar por itens que a indústria nacional (Frateschi, de Ribeirão Preto) e o Mercado Livre não suprem. Depois mudei de idéia e cogitei comprar tudo no eBay doravante, porque encontra-se coisa usada a preços incrivelmente baixos. Mesmo com o frete internacional, ainda valeria a pena.
Mas a má qualidade do produto importado me fez mudar de idéia novamente. Surpreso? Eu também. Depois de tanto ouvir os ferreomodelistas brasileiros meter o pau na Frateschi, eu esperava coisa melhor.
A qualidade do produto importado é tosca, coisa claramente feita para ser manufaturada de forma barata. Encaixes em lugares visíveis, "solda" de plástico derretido onde poderia haver um parafuso etc.
A transmissão das locomotivas é incrivelmente tosca. A litorina usada que comprei veio com transmissão usando elásticos, daqueles de amarrar dinheiro. E uma única redução, direto do eixo do motor para a roda! Não vou consegui descrever aqui a tosquice do negócio em toda a sua plenitude. É freak show.
Já a locomotiva da foto, que é nova, veio com uma transmissão quase tão tosca: motor com parafuso sem-fim diretamente ligado a uma engrenagem da roda. Esta roda tem aros de borracha para melhor tração. A outra roda não tem tração.
Ainda bem que eu comprei apenas para ter um vagão com 2 eixos ao invés de 4, para brincar com ela manualmente, e arranquei a transmissão fora logo.
O fabricante nacional usou este tipo de transmissão (rosca sem-fim, aros de borracha) nos anos 70, e passou a adotar a tração em todos os eixos, sem aros de borracha, logo no início dos anos 80.
Agora a cereja no bolo: a escala. Na foto, a locomotiva verde é a manobreira, a vermelha é uma G-12. nota-se que a manobreira está mais alta, o que está claramente errado. Manobreiras são sempre pequenas. A manobreira parece estar numa escala 1:60 ou 1:55, talvez para que o motor coubesse na "cabine". (Na foto, o motor já tinha sido removido; mas dava pra ver claramente.)
Curioso é que os ferreomodelistas brasileiros reclaaaaaaaaaaamam da Frateschi por conta dos desvios de escala. A Frateschi faz a G-12 numa escala 1:79 e não 1:87 como deveria, pelo mesmo motivo: para o motor caber no corpo da locomotiva. Também há outro rationale, envolvendo o fato que a G-12 anda em bitola de 1 metro enquanto os trilhos HO correspondem a uma bitola de 1.435m.
Ora, se a G-12 já está grande demais, que dizer dessa manobreira, que está maior em tamanho absoluto?
É bem verdade que esta manobreira custou realmente barato: 12 dólares (~27 reais), A G-12 da Frateschi custa 100 reais, mas não dá para comparar, porque a G-12 tem 4 eixos e truques, enquanto a manobreira tem 2 eixos fixos ao chassis. A simplicidade da transmissão também é perdoável. Mas pelo menos ela deveria estar em escala!
Naturalmente, existe coisa "fina" nos EUA também em ternos de ferreomodelismo. Só que tem seu preço: uma locomotiva boa custa 200, 300 dólares, algumas locomotivas a vapor chegam a passar de 1.000.
E pela qualidade do material, a Frateschi está bem mais próxima da "coisa fina" do que dos brinquedos vindos da China como esta manobreira que comprei. (Como a Frateschi não fabrica nem litorinas nem manobreiras, a única alternativa é adquirir tais produtos no exterior mesmo.)
Em resumo, deixemos de ser reclamões, e vamos prestigiar o produto nacional quando é merecido.
Terça-feira, Maio 12, 2009
Privatizassão e sucatiamento!
Globo, multiculturalismo, Brizola
É um privilégio participar do #d00dz da Freenode. Vez por outra alguém solta uma frase inspiradora, como o GWM soltou esses dias, algo digno de tese de doutorado: "O Brasil é um país multicultural monocultura".
Ué, que significa isso? Significa que nós, brasileiros, só enxergamos como "multicultural" uma mistura bem específica de culturas e/ou origens, em proporções rigidamente prescritas. O que na prática resulta em monocultura. Se você, na sua cultura ou origem, desviar tanto na qualidade quanto nas proporções, é um "alien".
O mundo segundo a TV Globo é onde mais facilmente se observa esta multimonocultura. No Jornal Nacional, a sequência é sempre a mesma: tudo que interessa acontecendo em Brasília, tiros em RJ e SP, e alguma coisa exótica do Nordeste. Na visão do JN, o Sul não existe e as pessoas do NE não levam "vida normal". Do ponto de vista do Jornal da Globo, o NE também cessa de existir. Nas novelas, a religião oficial do Brasil é um composto de 70% catolicismo, 10% kardecismo e 20% macumbismo (que por si só é um composto das religiões afro-brasileiras, que por sua vez também são sincréticas -- eu não disse que a mistura seria simples!). E por aí vai.
E ai de você se não obedecer às proporções. Se você for 100% católico, é um "ultramontano". Se for 100% macumbeiro, é, bem, um "macumbeiro". Se for 100% kardecista, nem no kardecismo vai ter vida fácil porque a maioria lá é católica também. Se for ateu ou evangélico ou judeu então, nem brasileiro você é.
Note que isto não é uma crítica à Globo. Eu acredito em Rui Barbosa e, parafraseando a Águia de Aia, "cada povo tem a imprensa que merece". Apenas vou usar a Globo como exemplo porque todo mundo assiste.
Enfim, como eu já disse noutro post, o nosso melting pot cultural não esquentou o suficiente para criar uma monocultura de verdade. Do contrário, eu faria parte dela e não estaria aqui reclamando. A bem da verdade, o monoculturalismo brasileiro foi uma invencionice do governo, mais especificamente de Getúlio Vargas, que definiu o brasileiro de verdade como sendo o carioca, e o resto que imitasse, ou iria para a cadeia por quinta-coluna.
Para o bem ou para o mal, Getúlio Vargas foi o político mais influente do Brasil no século XX, inclusive porque seus herdeiros políticos foram Juscelino, Jango e Brizola, todos eles personagens importantes, em particular Juscelino. Pelas coisas boas e ruins do Brasil, estes são os grandes responsáveis.
Falando em Brizola, ele criticava de contínuo a TV Globo, por grande responsável pela massificação cultural e política. Prima facie ele tinha razão, acabamos de mostrar duas ou três facetas desta massificação.
O que ele "esquecia" de mencionar é que a Globo é produto e consequência de uma política de massificação cultural, imposta de cima para baixo na base da porrada (literalmente) pelo Getúlio, seu padrinho político. E o Brizola demonstrou várias vezes concordar com esta política: também ele sonhava com um Brasil homogêneo.
Tudo saiu conforme o Brizola queria, exceto que ele não acabou como o Grande Timoneiro porque os tenentes de 1930, que colocaram Getúlio no poder, puxaram o tapete da dinastia em 1964 :)
Ué, que significa isso? Significa que nós, brasileiros, só enxergamos como "multicultural" uma mistura bem específica de culturas e/ou origens, em proporções rigidamente prescritas. O que na prática resulta em monocultura. Se você, na sua cultura ou origem, desviar tanto na qualidade quanto nas proporções, é um "alien".
O mundo segundo a TV Globo é onde mais facilmente se observa esta multimonocultura. No Jornal Nacional, a sequência é sempre a mesma: tudo que interessa acontecendo em Brasília, tiros em RJ e SP, e alguma coisa exótica do Nordeste. Na visão do JN, o Sul não existe e as pessoas do NE não levam "vida normal". Do ponto de vista do Jornal da Globo, o NE também cessa de existir. Nas novelas, a religião oficial do Brasil é um composto de 70% catolicismo, 10% kardecismo e 20% macumbismo (que por si só é um composto das religiões afro-brasileiras, que por sua vez também são sincréticas -- eu não disse que a mistura seria simples!). E por aí vai.
E ai de você se não obedecer às proporções. Se você for 100% católico, é um "ultramontano". Se for 100% macumbeiro, é, bem, um "macumbeiro". Se for 100% kardecista, nem no kardecismo vai ter vida fácil porque a maioria lá é católica também. Se for ateu ou evangélico ou judeu então, nem brasileiro você é.
Note que isto não é uma crítica à Globo. Eu acredito em Rui Barbosa e, parafraseando a Águia de Aia, "cada povo tem a imprensa que merece". Apenas vou usar a Globo como exemplo porque todo mundo assiste.
Enfim, como eu já disse noutro post, o nosso melting pot cultural não esquentou o suficiente para criar uma monocultura de verdade. Do contrário, eu faria parte dela e não estaria aqui reclamando. A bem da verdade, o monoculturalismo brasileiro foi uma invencionice do governo, mais especificamente de Getúlio Vargas, que definiu o brasileiro de verdade como sendo o carioca, e o resto que imitasse, ou iria para a cadeia por quinta-coluna.
Para o bem ou para o mal, Getúlio Vargas foi o político mais influente do Brasil no século XX, inclusive porque seus herdeiros políticos foram Juscelino, Jango e Brizola, todos eles personagens importantes, em particular Juscelino. Pelas coisas boas e ruins do Brasil, estes são os grandes responsáveis.
Falando em Brizola, ele criticava de contínuo a TV Globo, por grande responsável pela massificação cultural e política. Prima facie ele tinha razão, acabamos de mostrar duas ou três facetas desta massificação.
O que ele "esquecia" de mencionar é que a Globo é produto e consequência de uma política de massificação cultural, imposta de cima para baixo na base da porrada (literalmente) pelo Getúlio, seu padrinho político. E o Brizola demonstrou várias vezes concordar com esta política: também ele sonhava com um Brasil homogêneo.
Tudo saiu conforme o Brizola queria, exceto que ele não acabou como o Grande Timoneiro porque os tenentes de 1930, que colocaram Getúlio no poder, puxaram o tapete da dinastia em 1964 :)
Segunda-feira, Maio 04, 2009
Vencedor da gincana dos potinhos de comida para bebê
Fui bonzinho e só pichei um lado do vagão. A propósito, Frederico, a tinta usada é Acrilex para tecidos, então deve ser fácil removê-la.
Certamente algum engraçadinho vai enxergar conspiração no EPX pichado do lado direito. Mas posso assegurar que foi um "acidente". Como eu não tinha idéia de como fazer letras pichadas, procurei no Google Images e encontrei um alfabeto que me pareceu apropriado para pichação em vagões (normalmente feita com rolos de tinta e não com spray, portanto pede linhas retas). Só depois de pronto é que eu achei aquele "X" familiar -- suspeita reforçada pelo "E" parecendo a letra grega sigma. Plínio Salgado deve ter virado no túmulo.
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